Nem só gente foi pra Belém, os bichos também- Teatrinho de Natal



Nem só gente foi pra Belém, os bichos também

Uma história inspirada em recontos populares sobre os animais e o Natal.
Cristiane Ferreira Arrais


NARRADOR:

Muitas histórias já foram contadas sobre o nascimento do Menino Jesus.

Histórias de anjos, reis magos, pastores, estrelas brilhando no céu...

Mas a história que vou contar agora é diferente.

Ela fala de quando os bichos também foram a Belém.

Sim! Eles ouviram a notícia, sentiram a alegria no coração e seguiram a luz de uma estrela.

Como aqueles animais souberam do nascimento de Jesus?

Ninguém sabe ao certo...

Só se conta que tudo começou quando o galo cantou bem forte no terreiro:

GALO:

— Qui... qui... ri... qui! Cristo nasceu!

VACA:

— Muuuu... Muuuu... Onde? Onde?

CARNEIRO:

— Bééé... Bééé... Em Belém! Em Belém!

NARRADOR:

A vaca, animada com a notícia, logo chamou os companheiros:

VACA:

— Muuuu... Vamos todos a Belém levar presentes ao Menino Jesus! Eu levarei meu leite gostoso. É forte, nutritivo e fará bem ao menino!

CARNEIRO:

— Bééé... Eu ofereço minha lã macia. Ela poderá aquecê-lo e protegê-lo do frio.

GALINHA:

— Có-có-có! Levarei meus ovos fresquinhos. Serão um alimento para a criança.

JUMENTO:

— Ióóóó... ióóóó! E eu levarei o menino e sua mãe no meu lombo, para que possam descansar durante o caminho.

NARRADOR:

E assim, os animais começaram, animados, os preparativos para a viagem.

Foi então que alguém se aproximou.

Quem será?

Era o cão!

CÃO:

— Au... au! Soube que vocês vão a Belém visitar o Salvador. Posso ir junto?

VACA:

— Muuuu... Mas o que você pode oferecer? Não produz leite, nem lã, nem ovos, senhor cão...

CARNEIRO:

— Bééé... E ainda corre o risco de ferir o menino com esses dentes pontudos.

JUMENTO:

— Ióóóó... Acho melhor você não ir.

NARRADOR:

Triste e envergonhado, o cão abaixou a cabeça.

Por um instante, pensou que seus companheiros tinham razão.

Foi quando, ao longe, ouviu-se um uivo assustador:

LOBO:

— Auuu... auuu... auuu!

NARRADOR:

Todos os animais tremeram de medo.

Todos...

Menos o cão.

CÃO:

— Au! Au! Grrrr... Grrrr!

NARRADOR:

Valente, o cão se colocou à frente dos companheiros quando o lobo apareceu.

Correu, latiu e enfrentou o perigo com coragem.

Depois de muito alvoroço, o lobo, assustado, acabou fugindo para longe.

Os animais, então, compreenderam que haviam julgado o cão sem conhecer o seu verdadeiro valor.

Envergonhados, aproximaram-se dele.

VACA:

— Muuuu... Cão amigo, você nos protegeu com sua coragem!

CARNEIRO:

— Bééé... Perdoe-me! Sua bravura vale mais que mil quilos de lã!

GALINHA:

— Có-có-có! Você será um grande guardião para proteger a gruta do Salvador!

JUMENTO:

— Ióóóó... Agora vamos juntos. Cada um tem seu jeito de ajudar.

NARRADOR:

E juntos foram a caminho de Belém, até mesmo o lobo, arrependido, resolveu acompanhá-los de longe, pois até os corações mais duros aprenderam sobre amor, perdão e partilha.

Cada um podia oferecer aquilo que tinha.

E foi assim que seguiram estrada afora: uns com leite, outros com lã, alguns com ovos, o jumento com sua força, e o cão com sua coragem e seu coração fiel.

E naquela noite santa, não foram apenas pessoas que chegaram ao presépio.

Os bichos também vieram.

Vieram com seus sons, seus passos, seus dons simples e seus corações puros.

Porque, desde o começo, a natureza também faz parte da história do Menino Jesus.

Foi entre os animais que Ele encontrou abrigo.

Foi na simplicidade que escolheu nascer.

E, desde então, cada bicho, cada árvore, cada rio e cada canto da terra nos lembra do cuidado de Deus com toda a criação.

Cuidar dos animais.

Respeitar a natureza.

Proteger a vida.

Tudo isso também é uma forma de amar.

Que neste Natal a gente aprenda com os bichos:

a ser simples,

a ser corajoso,

a dividir,

a proteger

e, acima de tudo,

a amar.

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